Entrevista

Além das 48 horas: As game jams no trabalho de Saulo Camarotti, do Behold Studios

Por Bhernardo Viana*

A Global Game Jam 2015 acabou no dia 25 de janeiro, mas já deixou boas recordações entre os desenvolvedores. Várias equipes de desenvolvedores brasileiros criaram jogos com conceitos muito interessantes nas curtas 48hrs da maratona. Decidimos conversar com eles.

Saulo Camarotti no centro

Saulo Camarotti no centro da foto

Muito se fala de experimentação quando o assunto são as game jams para criar um jogo em pouco tempo. Como os protótipos realmente influenciam os trabalhos finais dos participantes? Nesta série de entrevistas, o site Geração Gamer irá conversar com alguns desenvolvedores brasileiros buscando entender um pouco mais sobre como eles se envolveram com game jams e por que elas foram importantes para sua formação como profissional.

Nesta primeira entrevista, eu conversei com Saulo Camarotti, presidente do Behold Studios. Junto com sua equipe, Saulo produziu o RPG Knights of Pen and Paper, que foi um sucesso nacional e internacional. Agora o estúdio está finalizando a produção de Chroma Squad, que foi financiado no Kickstarter com quase 4 mil apoiadores e está sendo ansiosamente aguardado pelos jogadores e pela mídia. Saulo também é o idealizador da Mostra Brasiliense de Indie Games (BRING), iniciada em 2014, que busca estimular a produção e divulgação de jogos independentes em Brasília. Além disso, o estúdio de Behold foi uma sede da GGJ mais uma vez em 2015, pela primeira vez sob o nome de BRING Jam.

Confira a entrevista.

Quando foi sua primeira participação em uma game jam?

Em 2008, participei do game jam da Campus Party. Tínhamos que fazer um jogo em XNA em 7 dias, enquanto acampávamos na Campus Party. Na época não tinha sequer esse nome.

O que te levou a entrar em uma destas maratonas?

Foi por acaso na verdade. Fui ao evento, com pretensões de aprender sobre desenvolvimento de jogos. Descobri a competição logo antes de chegar lá. Assim, decidi com meus amigos de nos aventurarmos e nos colocarmos à prova. Foi muito bom para aprender que não sabíamos nada.

Como trabalhos de membros do estúdio em jams como The Story of Choices, BitBit Machine e Monster Jam contribuiram para a identidade dos jogos da Behold? É correto dizer que estes trabalhos foram a base do visual de Knights of Pen and Paper e Chroma Squad?

Na verdade, o Knights P&P foi o primeiro jogo em pixel art que fizemos. Tivemos que nos adaptar ao estilo que tanto gostamos ao começar o projeto. Os outros projetos vieram de jams feitos depois que o KoPP já tinha iniciado. Ele foi inspiração para esse processo de criação.

Qual destes trabalhos de jams foi o mais marcante para você?

Acredito que foi o The Story of Choices. Foi um jam muito tranquilo, porque pude dormir e sediar. Compramos comida pro pessoal e, no meio tempo, saiu um jogo que adoro por sua simplicidade de apenas um botão e muitos caminhos possíveis para a história. Esse jogo fiz com o Hugo Vaz, um dos meus sócios artistas aqui da Behold. E cada imagem de cenário que ele fazia, a gente criava história pra ele de uma maneira muito fluída. Estávamos inspirados.

O Monster Jam também foi especial. A equipe dos quatro originais da Behold – eu, Betu, Hugo e Gui, estávamos em uma sincronia muito divertida. Todas as piadas eram acatadas pelo grupo, e o jogo ficou simples e muito comédia. Foi quase como uma piada interna. Fazer ele em 24h foi um grande desafio também.

Você já cedeu seu estúdio para sediar um local da GGJ de 2014 como gamedev­ do Distrito Federal. Isso contribuiu para o surgimento da BRING?

A proposta do BRING é antiga, mas não tinha esse nome. Percebo que o meu papel na indústria de jogos não é dar palestras ou fazer workshops, ocasiões em que as pessoas possam aprender como se faz um jogo. Hoje entendo que o Brasil precisa é de fazer jogos. Já temos o básico, o resto a gente corre na internet para aperfeiçoar. Então o BRING estimula que as empresas daqui a mostrem seus jogos, e assim os estúdios usam essa data como parâmetro para implementar novas coisas no jogo. Os Game Jams, obviamente também ajudam nesta proposta de estimular as pessoas a fazerem mais jogos, e pararem um pouco de apenas planejar, estudar ou se preocupar.

*Bhernardo é diretor de conteúdo do site SemTilt.

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2 comentários sobre “Além das 48 horas: As game jams no trabalho de Saulo Camarotti, do Behold Studios

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