Resenha

Como foi jogar Tratamento de Choque, o game que ironiza protestos

A Tomatotrap do cearense Éder Cardoso (32) lançou em 15 de novembro o jogo Tratamento de Choque. Geração Gamer conseguiu jogar o curtíssimo game, de um único estágio, do começo ao fim e explica como ele funciona. Sentimos a necessidade de contar para vocês o que entendemos dentro da mensagem do jogo que busca ironizar os protestos das Jornadas de Junho de 2013, que tomaram o Brasil.

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Curto demais

Em Tratamento de Choque, você comanda um policial da Tropa de Choque da PM deve bater nas pessoas que protestam na rua. Você tem basicamente três comandos: Andar pelo cenário, bater com o cassetete ou usar o spray de pimenta. Há pessoas com cartazes engraçados, pessoas tirando fotos para colocar no Instagram, pessoas que querem a Dilma Rousseff fora da presidência e até manifestantes de esquerda. E seu personagem parece ser um oficial sem noção que gosta de agredir as pessoas na rua.

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O jogo é curto demais. É apenas um estágio na rua com dificuldade quase zero, em que você precisa apenas agredir as pessoas na rua. Perto do fim, nos cinco minutos finais, o nível de dificuldade sobe com os Black Blocs atirando coquetéis molotov e utilizando tacos de beisebol. Mas até eles são fáceis de serem batidos. O que muda, no jogo todo, é a forma como você abate as pessoas. Há também manifestante que te entregam flores, e você bate neles. O game também tem um homem acorrentado no poste que você pode libertar e “adotar”, ou agredir da mesma forma que faz com os outros.

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Vencendo o único cenário, seu policial é condecorado e vai até a sala do governador, um cenário extra. Na residência do político, você pode usar o spray de pimenta ou o cassetete para agredir a autoridade. O jogo acerta na ironia nesta finalização, mas parece um humor de mau gosto, e mau acabado, por ser extremamente curto. Você termina tudo em menos de 10 minutos.

O jogo tem um protagonista interessante mal aproveitado

A atuação repressiva da polícia foi muito criticada nos protestos, sobretudo pela esquerda política, porque não diminuiu o poder das manifestações e o uso indiscriminado de balas de borracha chegou a agredir até jornalistas. A Tomatotrap teve a chance de criar um protagonista realmente irônico em seu jogo, mas ele só parece sem noção e estranho, não realmente agressivo e repressor.

O policial poderia ser melhor aproveitado, mas parece um avatar simplista diante de um cenário de diversidade dos protestos que tomaram o Brasil no ano passado e neste ano de Copa do Mundo. Por este motivo, as piadas de Tratamento de Choque parecem um humor de mau gosto com as pessoas que foram agredidas durante as mobilizações populares.

As limitações deste projeto

Tratamento de Choque demorou cinco meses para ser produzido em engine Unity, segundo o desenvolvedor Éder Cardoso ao site Geração Gamer. Concluímos que foi muito tempo na criação de um jogo simplista, curto e erra no tom de ironia. Um ano após a explosão de protestos poderiam gerar um game que tira sarro de maneira mais crítica e com mais classe. A ideia de colocar um policial da Tropa de Choque como protagonista continua sendo boa, mas a ironização com os protestos e com as próprias ações policiais poderiam ser desenvolvidos de maneira satisfatória.

É o primeiro jogo da Tomatotrap, mas a empresa precisa aprender a aperfeiçoar seu trabalho futuramente.

Notas

– Gráficos: 7
– Som: 3
– Jogabilidade: 2
– Replay: 3
– Nota final: 3,75

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7 comentários sobre “Como foi jogar Tratamento de Choque, o game que ironiza protestos

  1. Tão bom quanto ver os desenvolvedores brasileiros produzindo é ver a crítica trabalhando e procurando cada vez mais esse ‘meio-termo’ ou rigor científico como ponto de partida para avaliar a produção nacional. Parabéns ao site e ao autor, melhorando sempre.

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  2. Pingback: 10 novidades que mexeram com a cena brasileira de games – 14/12/2014 | Geração Gamer

  3. Oi, o desenvolvedor aqui! Agora que to vendo a análise. Gostei do detalhamento, realmente pegou algumas características chaves do jogo e destrinchou-o conforme sua opinião. Mesmo não concordando com alguns pontos, acho toda opinião válida (desde que tenha havido pelo menos um entendimento do conteúdo do jogo, o que foi teu caso). Falou!

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    • Pedro Zambarda disse:

      Obrigado pelo comentário, Éder. Tenha certeza de que, num próximo jogo, eu farei elogios se o trabalho estiver bom, de acordo com a minha opinião. Não quis parecer injusto na minha análise, mas precisava ter um critério. Um abraço!

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  4. Pingback: Plasma Puncher – Jogo brasileiro de pancadaria 2d |

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