Entrevista

EXCLUSIVO: “Beenoculus foi projetado inspirado pelo Oculus Rift”, diz criador

O curitibano José Evangelista Terrabuio Jr. foi apoiador da campanha no Kickstarter do Oculus Rift original, desenvolvido pelo californiano Palmer Luckey. Inspirado pela grande novidade que poderiam ser os óculos de realidade virtual para games depois da campanha de financiamento coletivo em 2012, ele decidiu criar o seu próprio aparelho VR. Foi assim que surgiu o Beenoculus, apresentado durante a CES 2015. Evangelista nos explicou durante a Campus Party 2015, no estande que dividiu com a Universidade Estácio, que pretende lançar o gadget no Brasil em março deste ano. Para compradores fora do Brasil, o óculos só deve estar disponível daqui a seis meses, quando ele viabilizar a logística de entregas.

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Confira nossa entrevista com o criador do Beenoculus.

Como foi a criação do óculos de realidade virtual brasileiro?

Criamos o Beenoculus inspirados pelo Oculus Rift. Éramos apoiadores do Oculus original durante a campanha de crowdfunding há mais de dois anos, quando o projeto ainda não tinha sido comprado pelo Facebook. Recebemos o equipamento de fora do Brasil e verificamos uma lacuna no mercado. Pesquisamos produtos paralelos concorrentes, como um modelo europeu, alemão. Mas ele custava 56 euros. Então decidimos criar um Oculus brasileiro, porque o que vem de fora não chega por um preço atraente para o público daqui. Conseguimos chegar num patamar de 100 reais, ou 35 dólares na conversão. Acreditamos na tecnologia de realidade virtual e queríamos que as pessoas tivessem acesso a este meio, para que ela não fique apenas no imaginário das pessoas. Se for assim, ficaremos numa fila de uma exposição, veremos algo inovador e vamos voltar pra casa sabendo que nunca chegará algo assim desta forma no Brasil.

Fizemos impressões 3D de maneira caseira, durante muitas noites, testando protótipos. O resultado final é um produto que acreditamos ser bacana para quem quer ter uma experiência imersiva em três dimensões. Utilizamos plástico neste último modelo. Neste momento o Beenoculus já está em produção para fazer as entregas em março após alguns pedidos durante a nossa pré-venda que iniciamos na CES 2015, em Las Vegas.  A recepção tem sido muito legal e as pessoas se surpreendem com uma tecnologia tão diferente sendo oferecida por um preço tão baixo. Acreditamos que o Beenoculus vai impactar, certamente, no setor de educação.

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Foi desta maneira que surgiram as parcerias com as universidades?

Sim, com a [Universidade] Estácio e com o Projeto Homem Virtual, de Telemedicina, da USP. A educação pra mim é o cerne e a origem de uma nova geração. Atualmente esses meninos geração Y não se prendem a nada. Eu mesmo tenho lá em casa um filho e uma filha que não ficam presos a nada. Eles são o meu laboratório para testar coisas (risos). É desta maneira que a gente vê como a tecnologia educa e permite que eles aprendam. Ela ensina envolvendo, ao mesmo tempo em que passa mensagens que nunca sairão da cabeça. Nesta experiência impactante, ela permite que as pessoas possam brincar.

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O que cada pessoa fez no desenvolvimento do Beenoculus?

Obviamente eu não estou sozinho neste projeto. Nunca estive, exceto na concepção da ideia que tive no chuveiro (risos). Temos uma equipe com muita iniciativa tanto na área de design quanto na área de desenvolvimento de aplicativos. Tivemos uma equipe que criou programas em Unity, enquanto outros mandavam bem em Unreal [Engine]. Outro grupo também desenvolveu pesado em iOS, o sistema móvel da Apple. Eu fui me contagiando com tudo isso. Éramos quatro pessoas no time original e hoje trabalhamos em 10 pessoas. Temos desenvolvedores, engenheiros de software, designers e programadores que aprenderam neste processo. Todo mundo é Jedi neste time e pouco Darth Vader. Eles me trouxeram até aqui e chegamos aos gringos de Las Vegas.

Com quem vocês conversaram entre as empresas internacionais?

Falamos em parcerias com a Samsung e chegamos a pintar os modelos do Beenoculus com as cores do Google. Os caras disseram que nós fizemos o que eles gostariam de fazer. Quem sabe o Google não nos faz uma proposta, não é? Pessoal que desenvolveu os cardboards, caixas de 3D, chegou a incluir o Beenoculus em listas de discussões. Há milhões de óculos de papelão do mundo. Todo universo de aplicativos é compatível com o nosso aparelho. Estamos conversando também com desenvolvedores brasileiros, como a Ana Ribeiro do Pixel Rift. Temos SDK em Unity e em outros formatos para abarcar o maior universo de criadores de games que estejam interessados no modelo. Chamamos também a galera do MonoGame para transformar seus jogos em programas adaptados no universo de três dimensões. Pensamos até em universo Windows, para ter a maior abrangência possível de forma democrática.

Quais parcerias vocês estão estudando para oferecer fisicamente o Beenoculus?

Os produtores de feiras de tecnologia são agora nossos parceiros, porque eles sabem que esse tipo de produto chama atenção. Nós aliamos as expectativas de ambos, para que as pessoas saibam que a gente existe. São parcerias de ganha ganha.

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O preço de 100 reais é realmente atraente, mas o Beenoculus é feito com quais materiais? Isso pesou no custo de produção?

A tampa dele possui metal ionizado e magnético, para conectar o smartphone com o restante do aparelho. A máscara externa é de silicone, para evitar desgaste físico e permitir uma limpeza fácil. O elástico é feito de maneira igualmente fácil para o manuseio, feito em uma indústria com distribuição para a América Latina. A parte em que o celular é acoplado é feita de EVA (Espuma Vinílica Acetinada), o que evita riscos no aparelho. É um alojamento bem confortável. As lentes possuem polímeros específicos. Eu acredito que é um produto de qualidade.

Como vocês chegaram neste preço com este acabamento?

Indústria de plástico no Brasil é commodity, diferente dos Estados Unidos. Polímero aqui é mais barato. É como acontece na China, em que os caras conseguem produzir por valores que jamais seriam comercializados como é entre os americanos. O que torna as coisas caras por aqui é a importação e a falta de iniciativas nacionais. Existe sim Custo América, assim como existe Custo Brasil e Custo China. Conseguimos o produto desta forma e com este preço de 100 reais.

A comercialização começa em março?

Sim, primeiro apenas no Brasil. O lançamento mundial deve acontecer nos próximos seis meses. A gente quer se preparar para entregar e estamos além de nossas expectativas iniciais. As vendas estão altas e não queremos dar vexame lá fora.

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