Entrevista

“A essência do Games for Change é seu networking”, diz Gilson Schwartz ao Geração Gamer

O festival Games for Change brasileiro de 2014 ocorrerá entre os dias 6 e 7 de dezembro na PUC-SP Campus Marquês de Paranaguá, com inscrições de R$ 100. Para entender melhor o evento, a reportagem do site Geração Gamer conversou com o professor Gilson Schwartz, idealizador do evento norte-americano em nosso país desde 2011. Confira a conversa.

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Quais são os diferenciais da Games For Change no Brasil neste ano?

O principal destaque é a criação de um espaço de aproximação entre os criativos, designers, programadores, educadores e ativistas envolvidos com games e “gamification”, de um lado, e o mercado, especificamente os investidores interessados em inovação de alto impacto social, cultural e político. Esse espaço é construído em parceria com a Broota Brasil, empresa especializada em “equity crowdfunding”, uma modalidade inovadora de investimento e mentoria de startups e projetos.

É importante ressaltar que essa inovação surge com o apoio do Forum Brasileiro de Competitividade em Internet das Coisas (Forum IoT Brasil). Ou seja, a G4C é um movimento de crítica e transformação que mantém um diálogo com as áreas de finanças e empresas responsáveis com interesse estratégico em inovação social e cultural.

Uma outra novidade importante é a realização do Festival a partir de uma rede mais ampla de instituições de ponta no ensino, pesquisa e fomento ao game design no Brasil, da PUC-SP que sedia o evento aos cursos de jogos na Unisinos, FEEVALE, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Uniso, Unitau. A Games for Change começou no Brasil como uma iniciativa ancorada no grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento e, após três anos, amadurecemos uma rede com alguns dos melhores centros de referência no país. Dentro da USP, o adensamento da rede é igualmente relevante: IME, ECA, POLI, FEA, FFLCH. “Nunca antes na história” da cena gamer houve tanta convergência entre pólos dentro e fora da USP para promover uma agenda comum.

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Finalmente, mas não por menos, puxo a brasa para a minha “sardinha”: Este é o ano de lançamento do meu livro “Brinco, Logo Aprendo – Educação, Videogames e Moralidades Pós-Modernas” (Editora Paulus). É muito legal batalhar pelo lado prático contribuindo para o desenvolvimento de um setor tão estratégico para a sociedade e também oferecer um novo ponto de vista teórico, um conteúdo que propõe a convergência entre as áreas de humanidades e artes, tecnologias e economia política.

Então o foco de trazer financiamento e recursos para finalizar jogos transforma o evento num networking?

Essa é a ideia. A Games for Change é uma iniciativa sem fins lucrativos, é um movimento e uma rede global. O networking é sua essência. É um exercício de formação de parcerias estratégicas em várias dimensões, do indivíduo à esfera institucional, conectando público e privado, produção e comercialização. Concluímos na USP neste ano um importante estudo encomendado pelo BNDES sobre a indústria de games no mundo. Constatamos que os centros mais avançados do mundo atuam com essa perspectiva “inter” e até “trans”-disciplinar, dada a natureza complexa e dinâmica do objeto “jogo” no capitalismo contemporâneo. Os relatórios estão disponíveis no site do BNDES.

Nosso horizonte para 2015 é portanto o aprofundamento do modelo incubado ao longo da etapa inicial de mobilização da G4C no Brasil, ampliando os canais de networking multissetoriais e privilegiando a produção nacional de games com impacto social, educacional e político. Quem viver, jogará tudo isso!

Qual sua impressão sobre os eventos na cena brasileira de games?

É uma cena que amadurece a passos rápidos nos últimos dois, três anos, período em que pude observar e participar mais ativamente como diretor da Games for Change para a América Latina. Há eventos de massa espetaculares, como o Brasil Game Show, colocando dezenas de milhares de consumidores em contato com as grandes marcas e também com a produção independente. Há eventos mais segmentados e praticamente “B2B” como o SBGames que traz o que há de melhor na produção acadêmica e na mobilização empreendedora com o apoio da ABRAGAMES. Há eventos de natureza mais “marketeira”, promovidos por grandes empresas como o BIG (bancado pela Telefônica). O Festival da G4C contribui para a cena ocupando um espaço único, com alta dose de pensamento crítico, voltado aos games de alto impacto social e cultural, diretamente conectado a um movimento internacional pela transformação da nossa relação com a cultura popular e a mídia de massa. Dialogamos com todos os eventos e lideranças e sentimos, ao longo do tempo, um reconhecimento crescente no Brasil e no exterior pela agenda e pelas ações concretas da G4C. O ecossistema brasileiro vai assim ganhando contornos e conteúdos diversificados que estimulam e atendem os interesses do consumidor, do acadêmico, do empreendedor e dos formuladores e gestores de políticas públicas. O Festival em sua quarta edição confirma que há espaço e urgência na promoção de um debate mais maduro e auto-crítico entre os que participam do desenvolvimento do mercado de tecnologia para entretenimento no Brasil.

Há futuros planos do Games for Change que você pode nos adiantar?

O desafio é aprofundar esse caráter multissetorial do movimento e ganhar sustentabilidade. Nos EUA, por exemplo, 0,5% das vendas na Amazon passam a direcionar recursos para a Games for Change. Temos planos semelhantes no Brasil, de aproximação com setores da sociedade, do governo e do meio empresarial que entendem as novas responsabilidades e a urgência de uma visão crítica sobre nossos modos de brincar.

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Um comentário sobre ““A essência do Games for Change é seu networking”, diz Gilson Schwartz ao Geração Gamer

  1. Pingback: 10 novidades que mexeram com a cena brasileira de games – 30/11/2014 | Geração Gamer

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