Opinião

Por que eu acabei entrando no jornalismo de games?

Esta é uma pergunta que eu me pego fazendo diariamente, porque eu às vezes não lembro direito como começou. Só sei de uma coisa concretamente: Não era um sonho de infância. Mas acabei entrando na área e acho que estou pegando gosto em fazer jornalismo de videogame, especialmente aqui no Geração Gamer e nos demais sites em que eu colaboro.

jornalismo-de-games

Minha trajetória no jornalismo de games não começou na imprensa, mas sim num fórum online. Em 2004, há quase 11 anos, eu era um dos integrantes do fórum do site da Pokémon LAND, a maior comunidade do nicho no Brasil e uma das maiores do mundo. Não sabia na época, mas eu produzia depoimentos e, de uma certa forma, reportagens através de meus comentários na comunidade. Participava de torneios oficiais promovidos pela revista Pokémon Club no Brasil todo. Jogávamos Game Boy via cabo link e relatávamos as experiências.

Antes desta fase, eu tinha sido assinante da Ação Games nos anos 90 e comprador compulsivo da Nintendo World, a revista oficial da Big N no Brasil. Depois veio a minha fase de leitor da EGM Brasil. Resolvi conhecer melhor os PCs e me tornei comprador da revista INFO da editora Abril. Cogitei, quando tinha 16 anos, fazer um curso de engenharia na faculdade, por adorar computação. Em pouco tempo, descobri que tinha mais talento para escrever do que fazer cálculo.

Graça ao gosto por videogames, e por internet, recebi uma recomendação de meu pai para fazer jornalismo e fui estudar na Faculdade Cásper Líbero.

No primeiro ano do ensino superior, fiz reportagens para o site de Cultura Geral e para as revistas internas. Fui selecionado para fazer Iniciação Científica no segundo ano. Pensei, naquela época, que me tornaria ou um acadêmico ou um jornalista cultural. Abri um blog coletivo sobre comunicação chamado Bola da Foca, que edito até hoje. Chegamos a ter cerca de 30 pessoas colaborando com textos e aprendendo a fazer jornalismo online na faculdade.

Tudo mudou no final de 2008, quando fui selecionado para fazer assessoria de imprensa para uma pequena empresa chamada EDGY. Depois ela se tornaria TAXI.Labs e, por fim, Agência TAXI. Era um grupo digital focado em propaganda, mas especializado em desenvolver games. Pude trabalhar de perto com clientes grandes como Fiat, Agência Click e até o BBB da TV Globo, quando fizemos um jogo de corrida para o reality show da televisão chamado T-Race.

Sai de lá no fim de 2009. Procurei trampos até na Editora Europa focado em games, mas sem sucesso. Mas encontrei outra coisa. Trabalhei com sites e revistas da Editora MOL, especialmente uma publicação que é vendida nas drogarias Raia e se chama Sorria. Toda grana dela é revertida para atender crianças com câncer pelo GRAAC. Foram poucos meses, mas foi minha primeira experiência com redação.

Mais ou menos na mesma época, eu ouvia Nerdcast, podcast do Jovem Nerd. Conheci através deles, e de amigos em comum, o extinto NowLoading. Quando eles abriram espaço para que leitores escrevessem notícias, eu fiz o NowLoading News. Também editei e revisei as primeiras edições da revista digital da Nintendo Blast. Nessa época, sai da redação para assessorar outra empresa, a Livetouch, que é focada no desenvolvimento de aplicativos móveis. Lá eu tive a oportunidade de mexer no primeiro iPad poucos dias depois de seu lançamento, em 2010. Na mesma época, infelizmente, o NowLoading acabou – o que gerou outros excelentes sites como o Fênix Down. Também fui chamado para colaborar num site chamado Wii Are Nerds e fiz bons podcasts por lá. Originalmente o WAN abordava tecnologia num geral, mas acabei dando uma puxada maior na área de videogames.

Na mesma época desses trabalhos para sites de games, depois de assessorar empresas, eu resolvi criar junto com meus amigos Rodrigo Pinto Ribeiro, Thiago Dias e Alexandre Facciolla o livro Geração Gamer. Foi nosso TCC, aprovado com 9,5 na banca de avaliação e recomendações para publicação. Entrevistamos 150 gamers e embaralhamos os depoimentos, para contar a história dos jogos digitais no mundo todo e no Brasil. Nunca consegui publicar o livro até agora.

Comecei a fazer freelances para o site de economia e negócios EXAME.com, da Abril. Também ajudei, na mesma época, na fundação do TechTudo da Globo.com. Fui contratado na EXAME, por fim, e trabalhei naquele site com uma grande equipe (30 pessoas) por mais de dois anos. Lá eu também tive chance de escrever sobre games, principalmente sobre a feira E3.

Saído de lá, voltei ao TechTudo e criei a coluna Geração Gamer como textos semanais de entrevistas com integrantes da cena brasileira de games. Fiz assessoria pela S2Publicom e fui convidado para participar do Bonus Stage, me tornando integrante dos vídeos deste site. Hoje me mantenho como jornalista freelancer, colaborando para sites como Diário do Centro do Mundo (DCM), El Hombre e Brasil Post. E transformei Geração Gamer neste site, que quero profissionalizar.

A questão é que o jornalismo de games não surgiu para mim como a realização de um sonho. Não queria desde quando eu era criança, embora já jogasse videogame desde os 2 anos. Já escrevi sobre cultura, literatura, música, cotidiano, economia, negócios e até tecnologia mais corporativa. Esses assuntos foram puxando uns aos outros, até que eu conseguisse oportunidades de aplicar minhas ideias para jogos digitais. Hoje Geração Gamer é um mapa da produção nacional eletrônica, mas ainda não consegui publicá-lo como livro físico, ideia que queria inicialmente.

Antes do Geração Gamer, eu nunca tive um projeto próprio para jogos. No entanto, participei de várias iniciativas interessantes. Há muitos sites originais na área dentro do nosso país, o que aumenta a competitividade.

Para quem quer começar na área, veja minha experiência. Ela revela as razões que me fazem criar jornalismo de jogos digitais hoje. Saiba que você terá sim que trabalhar de graça em alguns momentos, terá que criar portfólio e terá espaço para aplicar ideias originais. O que a imprensa brasileira mais é carente são de projetos inovadores. Em games, pode-se até criar jogos digitais para divulgar melhor sua reportagem.

Espero que este meu texto te ajude a esclarecer sobre como é a situação de um jornalista de games hoje.

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4 comentários sobre “Por que eu acabei entrando no jornalismo de games?

  1. Pingback: 10 novidades que mexeram com a cena brasileira de games – 18/01/2015 | Geração Gamer

  2. Kaue Natan Vezentainer disse:

    Belo relato! Estou no terceiro ano na minha faculdade de Jornalismo, gosto muito de vídeo games e jogou desde a infância. A gente sabe que o mercado dessa profissão é difícil como um todo, parabéns por nunca desistir espero que tu alcance o sucesso. Esse relato vai servir de inspiração, não só para mim, mas para outros também.

    Curtir

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